jusbrasil.com.br
9 de Abril de 2020

A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil

DellaCella Souza Advogados, Advogado
há 5 anos

Publicado por Leandro Narloch,

A diferena salarial entre homens e mulheres no Brasil

Por um motivo simples, sempre desconfiei da estatística da diferença salarial.

Se as mulheres de fato ganhassem menos que os homens para realizar as mesmas tarefas, empresas que buscam o lucro só contratariam mulheres. Diante de dois candidatos com o mesmo potencial, o patrão, é claro, contrataria o mais barato.

Mas o que ocorre é o contrário: os homens ainda são maioria dos empregados do Brasil.

Portanto, ou os donos de empresas são tolos, e colocam o machismo acima do lucro, ou a estatística é furada.

Um novo estudo da Fundação de Economia e Estatística, do governo do Rio Grande do Sul, confirmou essa suspeita. Os economistas Guilherme Stein e Vanessa Sulzbach analisaram 100 mil salários e concluíram que as mulheres brasileiras ganham 20% menos que os homens — mas só 7% não podem ser explicados pela diferença de produtividade.

A pesquisa enfureceu feministas gaúchas, que escreveram artigos e "textões" no Facebook acusando os autores de machismo e pediram a demissão dos diretores da Fundação.

Em resposta, dezenas de economistas assinaram um manifesto defendendo os pesquisadores. "Ficamos surpresos com uma reação tão forte a um estudo que já foi replicado tantas vezes", me disse o economista Guilherme Stein.

A conclusão do estudo converge com os dados da economista Claudia Goldin, de Harvard, a grande especialista em diferença salarial. Para os Estados Unidos, Goldin encontrou uma porcentagem um pouco menor (5%) que não é explicada pela produtividade.

De acordo com os pesquisadores gaúchos, há principalmente dois fatores puxam o salário das mulheres para cima, mas há outros três o empurram para baixo. Veja a tabela abaixo

A diferena salarial entre homens e mulheres no Brasil

As mulheres têm em média mais anos de estudo e começam a trabalhar mais tarde. No entanto, interrompem a carreira com mais frequência, têm uma jornada um pouco menor que a dos homens e tendem a se concentrar em ocupações que remuneram menos.

Dos 20% de diferença salarial, 13 são explicados por essas razões. Ou seja: se homens e mulheres trabalhassem as mesmas horas e tivessem o mesmo perfil, ainda assim as mulheres ganhariam 7% menos. Como explicar essa diferença?

Pode ser preconceito e discriminação por parte dos patrões, ou algum outro fator ainda não revelado. O que se pode dizer é que o machismo dos empregadores diminui o salário das mulheres em no máximo 7%.

A pesquisa não contraria bandeiras feministas, pelo contrário. "Os dados sugerem que a diferença salarial diminuiria se os homens dividissem os afazeres domésticos com as mulheres", diz Stein.

Complemento do IMB

Em um mercado de trabalho com liberdade de contratação e demissão, é impossível haver divergências salariais entre homens e mulheres em decorrência unicamente de discriminação.

E isto por um motivo puramente econômico: se houvesse tal discriminação, qualquer empregador iria obter lucros fáceis contratando mulheres e dispensando homens, uma vez que as mulheres poderiam receber um salário menor para fazer exatamente o mesmo trabalho. A concorrência entre os empregadores iria, então, elevar os salários das mulheres e, assim, abolir qualquer diferença salarial que porventura exista.

Logo, sempre e em qualquer ocasião que houver qualquer tipo de discriminação salarial — e isto vale não apenas para gêneros, mas também para cor de pelé, religiões, etnias etc. —, o capitalismo irá abolir tal situação, e não aprofundá-la. E o motivo essencial é que um empregador que permite que seus preconceitos turvem seu juízo de valor estará assim criando uma oportunidade de lucro para seus concorrentes.

Uma mulher que produz $75.000 por ano em receitas para seu patrão, mas que recebe, digamos, $20.000 a menos que um empregado masculino igualmente produtivo, poderá ser contratada por um concorrente por, digamos, $10.000 a mais do que recebe hoje e ainda assim permitir que este novo empregador embolse os $10.000 de diferença.

À medida que este processo concorrencial for se aprofundando ele irá, ao fim e ao cabo, elevar os salários femininos ao ponto de paridade com os salários masculinos caso a concorrência salarial seja vigorosa o bastante.

Mas há outros fatores indeléveis nessa questão da divergência salarial entre homens e mulheres. Por exemplo, em termos gerais, a probabilidade de as mulheres saírem da força de trabalho por um período de tempo — por causa de gravidez, criação e educação de filhos e outras tarefas (das quais a maioria dos homens se esquiva) — é maior que a dos homens. As mulheres são muito mais propensas que os homens a se ausentar do mercado de trabalho por um período de tempo (anos) para se dedicar à família. E mesmo que não façam isso, elas tendem a gastar muito mais tempo que os homens cuidando das crianças e das tarefas domésticas. Consequentemente, elas ficam atrás de seus colegas homens em termos de acumulação de capital, produtividade e salários.

No entanto, explicações muito mais explosivas sobre diferenças salariais podem ser encontradas no livro do professor James T. Bennett, do departamento de economia da George Mason University, intitulado The Politics of American Feminism: Gender Conflict in Contemporary Society.

Neste livro, o professor Bennett enumera mais de vinte motivos por que os homens ganham mais que as mulheres. Cumulativamente, tais explicações respondem por completo a existência de qualquer "disparidade salarial", embora o próprio Bennett acredite que a discriminação salarial por gênero não seja algo inexistente.

Os motivos, baseados em generalizações respaldadas por volumosas estatísticas, são:

  • Homens têm mais interesse por tecnologia e ciências naturais do que as mulheres.
  • Homens são mais propensos a aceitar trabalhos perigosos, e tais empregos pagam mais do que empregos mais confortáveis e seguros.
  • Homens são mais dispostos a se expor a climas inclementes em seu trabalho, e são compensados por isso ("diferenças compensatórias" no linguajar econômico).
  • Homens tendem a aceitar empregos mais estressantes que não sigam a típica rotina de oito horas de trabalho em horários convencionais.
  • Muitas mulheres preferem a satisfação pessoal no emprego (profissões voltadas para a assistência a crianças e idosos, por exemplo) a salários mais altos.
  • Homens, em geral, gostam de correr mais riscos que mulheres. Maiores riscos levam a recompensas mais altas.
  • Horários de trabalho mais atípicos pagam mais, e homens são mais propensos que as mulheres a aceitar trabalhar em tais horários.
  • Empregos perigosos (carvoaria) pagam mais e são dominados por homens.
  • Homens tendem a "atualizar" suas qualificações de trabalho mais frequentemente do que mulheres.
  • Homens são mais propensos a trabalhar em jornadas mais longas, o que aumenta a divergência salarial.
  • Mulheres tendem a ter mais "interrupções" em suas carreiras, principalmente por causa da gravidez, da criação e da educação de seus filhos. E menos experiência significa salários menores.
  • Mulheres apresentam uma probabilidade nove vezes maior do que os homens de sair do trabalho por "razões familiares". Menos tempo de serviço leva a menores salários.
  • Homens trabalham mais semanas por ano do que mulheres.
  • Homens apresentam a metade da taxa de absenteísmo das mulheres.
  • Homens são mais dispostos a aturar longas viagens diárias para o local de trabalho.
  • Homens são mais propensos a se transferir para locais indesejáveis em troca de empregos que pagam mais.
  • Homens são mais propensos a aceitar empregos que exigem viagens constantes.
  • No mundo corporativo, homens são mais propensos a escolher áreas de salários mais altos, como finanças e vendas, ao passo que as mulheres são mais predominantes em áreas que pagam menos, como recursos humanos e relações públicas.
  • Quando homens e mulheres possuem o mesmo cargo, as responsabilidades masculinas tendem a ser maiores.
  • Homens são mais propensos a trabalhar por comissão; mulheres são mais propensas a procurar empregos que deem mais estabilidade. O primeiro apresenta maiores potenciais de ganho.
  • Mulheres atribuem maior valor à flexibilidade, a um ambiente de trabalho mais humano e a ter mais tempo para os filhos e para a família.

Portanto, caso as mulheres queiram salários maiores, elas deveriam prestar mais atenção a estes determinantes e se concentrar menos em cruzadas quixotescas como legislações sobre "diversidade e igualdade" que demonizam empregados e patrões homens.

A sugestão de que atributos sexuais são utilizados na escolha de um empregado, ou que eles são determinantes para o contra-cheque, nada diz a respeito dos gostos sexuais do empregador. Diz apenas sobre escassez. Empregadores não têm como saber qual a produtividade de um empregado antes de sua contratação. Mais ainda: a produtividade deste empregado pode não ser prontamente perceptível após sua contratação.

Adicionalmente, o período de teste e adaptação é custoso; ele também consome recursos da empresa na forma de monitoramento, supervisão e materiais. E empregadores têm um incentivo para economizar todos estes custos. Logo, uma contratação não pode ser algo guiado unicamente pelo sexo do indivíduo. Vários outros possíveis atributos e possíveis ocorrências futuras têm de ser considerados pelo empregador.

Porém, a lógica econômica é normalmente suprimida por grupos politicamente corretos que julgam ser muito mais fácil e produtivo simplesmente difamar aqueles que tentam explicar que há motivos economicamente racionais para a existência de eventuais divergências salariais entre homens e mulheres.


Leandro Narloch é jornalista e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e do Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, além de ser co-autor, junto com o jornalista Duda Teixeira, do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, todos na lista dos livros mais vendidos do país desde que foram lançados.


FONTE

17 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Bom, estou entendendo que a pesquisa foi feita no Rio Grande do Sul, onde a qualidade de vida e condições de igualdade são bem diferentes do resto do Brasil. Precisa repetir a mesma pesquisa no nordeste, onde impera o machismo, a pobreza e as diferenças sociais.
Quando tratamos de preconceito não há lógica para os raciocínios, muito menos do lucro. Ainda há muitas pessas que entendem que as mulheres são menos qualificadas e menos produtivas, mesmo estes 20% de casos de baixa produtividade são duvidosos pois não vimos os dados da pesquisa.
E acho também que estes motivos para a contratação masculina são, no mínimo, ridículas. Não há como saber se uma mulher aceita trabalhos menos perigosos, construção civil por exemplo, porque elas sequer têm a oportunidade de lá entrar. Já trabalhei em construtora e os currículos femininos eram simplesmente rasgados, não sem antes ouvir várias zombarias sobre a pretensão feminina. O motivo? Talvez porque achem que ela não aceita condição insalubre, trabalho pesado, e tantas outros fatores que foram elencados aí em cima
O que se vê é muita tentativa de justificar e desqualificar a luta feminina, talvez não aqui em São Paulo, ou no Sul, onde as mulheres conseguem lutar pelos direitos com mais força. Mas estamos falando de Brasil, e ele é muito grande. Interessante que as mulheres não aceitem trabalho pesado, mas todas elas fazem jornada dupla, trabalham mais de 10 horas se contar com as tarefas domésticas, que pouco são divididas. Que raio de baixa produtividade é essa? continuar lendo

Lei o texto novamente, sem seus pré-conceitos. continuar lendo

Cara Vivian, eu gostaria apenas de lembra-la que machismo, miséria e desigualdade social não são exclusividade do nordeste. O estado onde há mais violência contra a mulher é o Espiríto Santo, no sudeste. A maior desigualdade de renda acontece no Distrito Federal, no Centro Oeste. continuar lendo

Sr. Lincoln, leia meu comentário de novo, sem seus pré conceitos, esqueça que é homem. Não é um ataque, é uma opinião e gostaria de ser respeitada, afinal tenho o hábito de respeitar, homens e mulheres que escrevem aqui.
Sr. David, exclusões existem sempre, nunca discordei disso. Quero deixar bem claro que felizmente não sinto o machismo e a exclusão em minha vida, apesar de uns e outros tentarem diminuir um discurso que apoia a inclusão feminina.
Inclusive sou muito rigorosa com algumas mulheres que julgam ter mais direito que os homens sob a desculpa do feminismo. Não estou falando de "ismos", estou falando de regiões onde este tipo de coisa acontece com muita frequência e muita ignorância. E estou falando de pessoas que fecham os olhos e vivem no mundo de Pandora, onde só porque numa determinada região não acontecem desigualdades julgam que está tudo bonito. E julgam que a culpa no final das contas é da própria mulher. continuar lendo

Vejo muitas feministas vitimistas buscando privilégios e não igualdade, mas o machismo de fato existe em muitos pontos. Mesmo com justificativas para 13% desses 20% de diferença salarial, ainda não se consegue justificar 7% e algumas das justificativas apresentadas tem um "machismo disfarçado".

Se o empregador é machista, não adianta dizer que contratar mulheres é mais "lucrativo", porque ele vai citar que tem de pagar licença maternidade, perder a funcionária por um tempo, etc e para ele isso "prova que esses dados estão errados".

O principal motivo citado aí, além do machismo e de diferenças físicas, para mulher ganhar menos é a gravidez e a criação dos filhos. Mas mesmo neste ponto, se o homem ajudasse mais na criação dos filhos, talvez veríamos isso diminuir. continuar lendo

Não dá para contestar ou concordar com a pesquisa, sem saber sobre os dados que alimentaram tal pesquisa. Mas a vida demonstra que o preconceito de gênero nas relações de trabalho existem. Basta você viver para experienciar. Exatamente por vivenciá-lo e não querer ser vítima desse preconceito, decidi prestar concurso público. A seguir alguns dentre os exemplos que posso mencionar. Quando era sócia em um escritório de advocacia juntamente com outros 7 recém formados e indo representar o escritório no interior de Goiás, visitando alguns Sindicatos de Fazendeiros, estes me perguntavam se "não havia um homem no escritório" ou "se eu não teria um pai". Tenho uma amiga que era pesquisadora e trabalhava na EMBRAPA e dizia que era muito raro uma cientista mulher conseguir um patrocínio como pesquisadora e que o problema seria a possibilidade de engravidar no meio da pesquisa, seja porque algumas estariam em idades limites para a maternidade (entre 35 e 40 anos de idade), outras porque eram recém-casadas e poderiam engravidar a qualquer momento. Em Brasília, trabalhando com o então Suprocurador Geral do Trabalho, Dr. Otávio Brito, em sua COORDIGUALDADE, Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação de Gênero e Raça no Trabalho, tive oportunidade de ver que este é um problema grave no Brasil e de acompanhar algumas iniciativas do então Subprocurador Geral do Trabalho, dentre as quais, a contratação de um pesquisador/escritor/sociólogo para informar quantas mulheres e negros existiam em cargos de chefia e direção nos bancos particulares, a fim de adotar um papel mais ativo, com ações afirmativas e propondo TAC´s a tais empresas; e eram absurdos os resultados, pois a quantidade de negros e mulheres em cargos de chefia ou direção, era quase nula. A minha humilde conclusão é de que o capitalismo, o lucro e a produtividade, os fins empresariais enfim, são contrários à gestação, à gravidez, a filhos, e por conseguinte, contra a mulher, porque esta engravida e é ela quem depois assumirá os problemas decorrentes da criação desse filho, desde os pequenos, até os grandes. A gravidez gera prejuízo e perda de produtividade para as empresas, e portanto, é um grande prejuízo para a mulher profissionalmente. E a mulher que tem um filho, SEMPRE, vai dar prioridade a este filho, SEMPRE vai colocar os interesses dos filhos e da família na frente da empresa, ao contrário do homem, sob pena de grande sentimento de culpa, caso sinta a menor falha de sua parte para com esse filho. E por isso, na minha opinião, esse problema de discriminação está longe de ter fim. Exceto se a mulher abrir mão de ter filhos. E talvez seja esta a razão de, não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, as mulheres estarem decidindo cada vez mais, NUNCA ter filhos. Porque filhos são incompatíveis com dedicação total à empresa, como a maioria dos homens faz, em detrimento de suas famílias. Filhos são incompatíveis com viagens longas a trabalho, jornadas longas de trabalho, maior flexibilidade para se ausentar, instabilidade profissional, horários de trabalhos atípicos e perigosos, e que geram maiores salários. Optar por ter filho, para você própria criar e não a avó ou uma estranha cuidar e educar, exige muito tempo e muita dedicação. E por conseguinte, exige que se tenha menos ambição e pretensão profissionais e principalmente salariais, exige altruísmo. É o trabalho de formar seres humanos. Mas é um trabalho muito pouco valorizado pelo mundo em geral, porque o mundo é capitalista e a mulher que opta por ser mãe, não gera lucro, pelo contrário, gera prejuízo financeiro, para si e para a empresa que estiver trabalhando. Essa é a lógica do mundo capitalista e esses são os valores deste mundo! continuar lendo

Nisto estamos em total acordo, Esther. Eu já comentei sobre esse tema em reunião do sindicato da minha categoria. O nosso sistema social e econômico tem de ser repensado com urgência. Países como o Japão, que sempre estimulou demasiadamente a alta produtividade no trabalho e no estudo, está em recessão há mais de uma decada por um motivo muito simples: diminuição crescente do consumo. E qual o motivo? Redução da população. As famílias estão tornando-se cada vez menores e a necessidade de consumo das mesmas idem. Mesmos em um país com universidades e centros de pesquisa de excelência como o Japão, levou décadas para associarem um fenômeno com o outro e agora o governo está tomando medidas para a valorização e incentivo ao aumento dos nucleos familiares. Na desenvolvida Italia está acontecendo a mesma coisa. O governo está dando dinheiro para que os casais tenham mais filhos. Nos Estados Unidos, onde gerações de jovens estão sendo educados pela televisão e pela internet - devido a ausência dos pais, motivada pelo trabalho excessivo - o consumo de drogas na população disparou nas últimas quatro decadas. Mas nem tudo está perdido, países escandinavos como a Noruega aumentaram a licença maternidade de seis meses para um ano. As jornadas de trabalho, além de estarem sendo reduzidas, estão sendo flexibilizadas para que os pais possam dedicar-se a maior missão de todas: criar e formar seres humanos. Quanto tempo levará até que as autoridades brasileiras percebam a importância da maternidade e paternidade responsaveis? continuar lendo

Contra fatos não há argumentos hehehe.
De relevância a pesquisa para acabar com os famosos bichos papões que dominam o discurso político de movimentos que nem têm razão de existir. continuar lendo